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Vidas Secas

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Organizadores

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Elba Ramalho- Baioque

Quando eu canto, que se cuide quem não for meu irmão
                                    O meu canto, punhalada, não conhece o perdão
                                    Quando eu rio
                                    Quando eu rio, rio seco como é seco o sertão
                                    Meu sorriso é uma fenda escavada no chão
                                    Quando eu choro
                                    Quando eu choro é uma enchente surpreendendo o verão
                                    É o inverno, de repente, inundando o sertão
                                    Quando eu amo
                                    Quando eu amo, eu devoro todo meu coração
                                    Eu odeio, eu adoro, numa mesma oração, quando eu canto
                                    
                                    Mamy, não quero seguir definhando sol a sol
                                    Me leva daqui, eu quero partir requebrando rock'n roll
                                    Nem quero saber como se dança o baião
                                    Eu quero ligar, eu quero um lugar
                                    Ao sol de Ipanema, cinema e televisão
 
 
 
Garra De Serra - Daniel Couceiro

Lá vai a seca
                                    Devastando plantações
                                    E com a seca
                                    Morre sonhos, ilusões
                                    O povo foge
                                    Já não tem pra onde ir
                                    E o gado morre de fome
                                    No sertão do Cariri.
                                    
                                    Lá vai a seca
                                    Devastando corações
                                    Muita promessa
                                    Durante as eleições
                                    A mão que sangra
                                    Espera ainda um dia ver
                                    Ver. ver, ver a seca desaparecer.
                                    
                                    Não consigo me calar
                                    Não consigo entender
                                    Tanta gente pra falar
                                    Pouca gente pra fazer.

Comentario do filme
 
Não há país em Vidas Secas, há o inferno. O clima e a geografia aliam-se à opressão econômica para expulsar a família que busca a sobrevivência na fuga. O último degrau a que desce o grupo humano é representado pelo sacrifício dos animais domésticos - o gado, primeiro, depois Baleia, a cadela vítima de um tiro de misericórdia, e finalmente o papagaio, transformado em refeição. Nada mais existe abaixo das pessoas. Elas são a última gota do deserto que não leva a nada. Nesse território varrido pela tragédia, só resta o sol, que engessa o movimento, e o chão calcinado, que tortura tanto o espaço doméstico quanto a estrada sem futuro. Metáfora da perdição dos que buscam a sobrevivência no país que não existe, a narrativa nada oferece a não ser a presença de um homem, uma mulher e uma criança, condenados por um destino que se expressa por um clarão sem tréguas.

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